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Um levantamento internacional publicado na revista científica Scientific Reports acompanhou maratonistas de longa data de vinte e quatro países e encontrou capacidade aeróbica acima do percentil noventa e cinco das tabelas normativas em várias faixas etárias, um resultado que recoloca o VO2 máximo como indicador de rotina para quem treina.

O que este artigo aborda:

Mulher correndo sozinha em estrada de terra cercada por árvores altas, com luz do amanhecer ao fundo
Mulher correndo sozinha em estrada de terra cercada por árvores altas, com luz do amanhecer ao fundo
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O que o levantamento com maratonistas de longa data encontrou?

O grupo apresentou VO2 máximo acima da referência esperada para a idade em todas as faixas analisadas.

A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports e disponível em acesso aberto no levantamento com maratonistas de longa data em versão integral, reuniu respostas de corredores de vinte e quatro países, comparou os valores estimados com as curvas normativas do registro FRIEND e observou diferença mais suave entre as idades.

O registro usado como régua é o Fitness Registry and the Importance of Exercise, banco de dados normativo que reúne resultados de testes de aptidão cardiorrespiratória e serve de referência em pesquisa clínica.

  • Amostra de 340 corredores de 24 países, com média de 121 maratonas concluídas por participante
  • Idade média de 52,2 anos no grupo acompanhado, com participação de homens e mulheres
  • Várias faixas etárias acima do percentil 95 das curvas normativas do registro FRIEND
  • Modelagem de metanálise que estima 3,7% de redução da mortalidade por qualquer causa a cada 1 mL/kg/min a mais

O desenho é transversal, com dados autorrelatados e valores estimados por dispositivo de monitoramento, o que impede afirmar que a prática de maratonas causou a capacidade observada.

A projeção de menor mortalidade também não saiu deste grupo, e sim de uma metanálise anterior aplicada como modelagem, ou seja, funciona como estimativa de cenário e não como resultado medido nos participantes.

O que o VO2 máximo mede no corpo?

O VO2 máximo mede o volume de oxigênio que o corpo consegue captar e usar durante esforço intenso.

Quanto maior esse volume, mais oxigênio chega aos músculos em atividade, e por isso o indicador funciona como um retrato da eficiência conjunta entre coração, pulmões, sangue e musculatura, o que ajuda a explicar a associação frequente entre capacidade aeróbica elevada e menor risco cardiovascular ao longo da vida adulta.

O valor costuma ser expresso em mililitros de oxigênio por quilo de peso a cada minuto, o que permite comparar pessoas de tamanhos diferentes sem distorcer a leitura.

O VO2 máximo não descreve técnica de corrida, força muscular nem qualidade de sono, e um valor alto convive com hábitos que pesam contra a saúde no longo prazo.

Como o VO2 máximo é estimado fora do laboratório?

Relógios com sensor de frequência cardíaca estimam o VO2 máximo a partir de ritmo, batimentos e histórico de treinos.

A estimativa cruza a velocidade registrada pelo aparelho com a resposta do coração em cada esforço, e por isso o mesmo corpo pode receber valores diferentes conforme o modelo do sensor, o histórico armazenado e as condições do dia, como calor, sono ruim ou terreno inclinado.

CaminhoComo o valor apareceOnde ajuda mais
Teste ergoespirométrico em laboratórioMedição direta dos gases expirados durante esforço progressivo, com máscara e supervisãoInvestigação clínica e prescrição individual acompanhada
Estimativa por relógio com sensor de frequência cardíacaCálculo automático a partir de ritmo, batimentos e histórico de treinosAcompanhamento da própria evolução ao longo do tempo

A diferença entre os dois caminhos explica por que o mesmo corredor encontra números distintos em aparelhos distintos, sem que nenhum deles esteja necessariamente errado.

Por que a comparação deve ser feita dentro da própria faixa etária?

Porque a referência muda com a idade, e o mesmo VO2 máximo pode ser alto aos cinquenta e mediano aos vinte.

Tabelas normativas organizam os valores em percentis por sexo e faixa etária, e uma análise dos critérios de aptidão cardiorrespiratória em amostra brasileira publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia mostra que a classificação muda conforme a tabela adotada, mesmo quando o valor medido é exatamente o mesmo.

Percentil indica posição dentro de um grupo de comparação, e não uma nota absoluta de condicionamento.

  • Faixas de 10 anos organizam as tabelas normativas mais usadas na prática clínica
  • Aos 40 anos, a comparação que informa alguma coisa acontece com a curva da própria década
  • Aos 50 anos, a posição dentro do grupo diz mais do que o valor absoluto isolado
  • Aos 60 anos, a manutenção da capacidade ao longo do tempo pesa mais do que um pico pontual

A pergunta útil deixa de ser qual é um bom valor e passa a ser bom em relação a quem, porque a cobertura disponível sobre o tema costuma parar na definição e no passo a passo da medição.

Comparar o próprio resultado com o de maratonistas que somam mais de cem provas na vida, como os do levantamento, produz frustração sem informação nova.

Onde o indicador entra no acompanhamento de quem treina

Na prática clínica, o número entra como um dado entre outros, dentro do contexto de rotina, sono e histórico.

Dr. Eliphas Levi Assumpção Egg Gomes é médico com atuação em medicina do esporte, metabolismo e longevidade e proprietário do Instituto Evolvian, de Resende Costa, em Minas Gerais, que monta protocolos individualizados de rotina, hormonologia e emagrecimento para executivos com atendimento também em Betim e Belo Horizonte.

O médico afirma: “O número que aparece no relógio só vira decisão clínica quando a gente entende a rotina inteira da pessoa, porque não existe protocolo pronto que funcione para todo mundo.”

O médico acrescenta: “Ganhar fôlego aos quarenta e aos cinquenta é o que sustenta o novo luxo de ter saúde para viver tudo o que a pessoa já conquistou na vida.”

Para o médico, o acompanhamento ganha consistência quando cruza o dado do dispositivo com exames, rotina de treino e histórico de saúde, sem transformar um indicador isolado em diagnóstico.

O que fazer com o número na rotina de treino?

O caminho mais produtivo é acompanhar a própria evolução, em vez de perseguir o valor de outra pessoa.

A recomendação geral publicada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) sobre atividade física para adultos serve como piso prático de movimento, e a leitura do VO2 máximo fica mais consistente quando o valor é comparado com o histórico do próprio corpo ao longo dos meses.

  • 150 minutos semanais de atividade moderada, conforme a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS)
  • Fortalecimento muscular em 2 dias da semana, dentro da mesma recomendação
  • Repetir a estimativa a cada 3 meses, sempre no mesmo aparelho, para comparar a própria curva
  • Guardar o histórico dos últimos 12 meses antes de concluir que houve queda real

Variações pequenas entre uma semana e outra dizem pouco, porque calor, sono e cansaço acumulado mexem na leitura do sensor sem que a capacidade tenha mudado.

Diante de queda persistente, sintomas durante o esforço ou dúvida sobre o resultado, consulte um profissional licenciado para leitura individual, já que nenhum indicador isolado substitui acompanhamento clínico.

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Redação Sporting Forever

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